domingo, 24 de maio de 2009

Amores

Luzes
vagas
vaga
lumes
peri
lampos
lique
feitos
lux
quefeitos
que in
candescem
noite
calma
candida
mente.

Poesia

Se poesia é vida,
se poesia é palavra
nela cabem o poente
e a linha do horizonte,

e as crianças descalças
dormindo nas calçadas
ou ao abrigo de pontes.


Se poesia é vida,
se poesia é palavra
nela cabem as utopias,

e a miséria dos dias.


Cabem na poesia,
que é palavra,
a vida
e o arco-íris
e a estrela-d'alva,

e as lágrimas
d'alma
de cada dia.


Poesia
é vida
é palavra
é hino
é canção,

mas
também é grito
do imo
do peito
safenado.

Olhar

O alvo
- o coração.

As lâminas faiscantes de estrelas
- teus-olhos-shurikens.

Poesia

Na centrífuga
ponho o poema
- e o sonho.

E sorvo
o sumo
...só!

Poesia

Na seara da palavra
limo
teimo
lavro
meu lavoro.

Quero-te
palavra alvejada
no rio de luzes
da aurora boreal.

Barulhos de tua ausência

1. Toc-toc-toc de sandálias
em degraus infindáveis...

2. Em primeiríssimo plano: um beijo - clic-bilabial-sonoro.

3. Porta ragendo...

4. O tilintar de duas taças finas.

5. Quase imperceptível: roupas descendo ao chão...

6. "My way" rodando, rodando, rodando...

7. O vento...e um varal vazio.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Assim Seja

Era uma vez uma mulher, chamada Carmem Maria, que não queria ter olhos de ver, mas apenas seus belos olhos verdes, e que no fim do primeiro amor murmurou “continuarei a ser bela e faceira”, e no fim do segundo voltou a defender sua faceirice sistemática, e no terceiro proclamou, com sua beleza, “vou dar a volta por cima”, e no quarto o eterno repetitório, e recentemente, quando Lúcio foi embora, tapinhas nas costas, as amigas lhe garantiram “não é nada, Carmem Maria!, você vai dar a volta por cima”. Carmem Maria vai dar a volta por cima senão não se chama Carmem Maria!
Era uma vez um homem chamado “Joaquim, que tirou Josefa da Voluntários, “pois deste limão hei de fazer uma limonada” – disse -, e levou-a ao ginecologista, e encaminhou-a para um teste de AIDS, e lhe deu casa na Glória, “ pois deste limão...”, e lhe deu até dentista, mas Josefa traiu Joaquim, arrumou amantes, depois um gigolô, e Joaquim suicidou-se, depois de deixar sua mensagem “doce me foste, mesmo sendo limão.”
Era uma vez uma santa mulher, viúva, o marido foi morto pela polícia que pegou o homem errado, “mas que fazer – ponderou – Deus escreve certo por linhas tortas!”, e que tinha uma filha que engravidou aos 14 anos, “mas Deus escreve certo por linhas tortas!” – insistia -, e outra, mais velha, se casou, traiu o marido, se separou e que, embora se tornasse prostituta, a mãe dizia, no leito de morte, “Deus escreve certo por linhas tortas”!
Era uma vez uma mulher...
 
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